domingo, 24 de outubro de 2010

19º Dia (27/08/10) - Cusco

Em trânsito... e chegada em Cusco

A capital do Império Inca é uma delícia de cidade. Cusco reserva a seus visitantes lugares fantásticos, uma aula de história a céu aberto. Considerada a capital arqueológica da América, essa cidade traz até nos detalhes de sua arquitetura as características culturais daqueles que formaram o Peru: incas e espanhóis. A Plaza de Armas é um espaço que concentra grandes representações históricas como a Catedral e a Iglesia Compañía de Jesus, além de restaurantes, agências e muito comércio ao redor. Mas os passeios pelas proximidades são uma excelente pedida: Vale Sagrado, Maras, Morai e, Machu Picchu - claro - são lugares que valem a pena conhecer.


Para visitar a maior parte dos atrativos de Cusco e região você tem que comprar o Boleto Turístico, não é possível comprar o ingresso só para aquele sítio arqueológico na hora. O Boleto Turístico é um 'passaporte' que te dá direito a conhecer 16 atrativos, entre eles: ruínas, igrejas e museus (também há uma opção de menor valor para visitar somente alguns atrativos, tudo em 1 dia). O Boleto tradicional é válido por 10 dias e você não tem muito o que pensar: ao chegar em Cusco compre o seu Boleto, ele é vendido oficialmente na Oficina de Boleto Turístico e também na entrada de alguns atrativos, mas informe-se antes para não ficar sem e ser barrado.

Acordei meio desnorteada com a 'comissária' servindo o desayuno (sanduíche, bolinho e chá). Aí a sequência foi: Estrada > Filme > Estrada > Filme > Bingo. Bingo??? Sim, bingo. O ônibus promoveu o jogo com uma passagem de volta à Nazca ou para Lima como premiação. Uau. O jogo foi correndo e eu estava por 1 número. Mas adivinha quem fechou a cartela? Meu primo! BINGOOOOOO... e lá foi ele correndo conferir. hahaha. Mas como a passagem era intransferível e válida por 30 dias somente, deixou o jogo continuar para que outra pessoa ficasse com o prêmio.


Sem almoço a fome era grande e chegamos em Cusco (com chuva) só às 15h30min. Fomos de taxi até o Hostal Ayllu Real, um quarto muito bom, três camas, chuveiro com muita água (quente). Entrei em contato com a agência que tínhamos contratado o Caminho Inca e agendamos uma conversa para à noite. Após um banho revigorante saímos à procura de agências e contratamos o passeio do Vale Sagrado.

A janta foi no restaurante Los Candiles, no menú do dia: sopa criola, espagueti a bolognesa (que estava doce!) e limonada. Ao pagar a conta o garçom nos disse que não poderia aceitar o cartão porque era o menú do dia e queria cobrar 15% de taxa. Um abuso. A placa de que aceita cartão tava lá e em nenhum lugar havia especificado que justamente o menú do dia não poderia ser pago assim ou que cobrariam essa taxa absurda. Por essas e outras (macarrão que estava doce) não recomendo o lugar.
É muito comum por lá os lugares cobrarem uma taxa para pagamento com cartão de crédito. Mas 15%?? Ahhh não, aí tá me chamando de besta né.

20º Dia (28/08/10) - Vale Sagrado

Vale Sagrado dos Incas

O circuito do Vale Sagrado compreende a visita a Pisaq, Urubamba, Ollantaytambo e Chinchero. Excelente tour para compreender melhor e se apaixonar ainda mais pela organização e inteligência da cultura inca.

Em Pisaq é feita uma parada na feira de artesanatos para compras e em seguida no Morro Intihuatana onde estão as ruínas arqueológicas. O grande destaque desse passeio é a incrível visão que se tem do vale e as terraças que eram utilizadas para agricultura. Uma caminhada e é possível chegar às ruínas para conhecer bem de perto as antigas construções.

Urubamba possui opções para turismo de aventura porém geralmente é só o ponto de parada para almoço de quem faz o tour do Vale Sagrado.

Já Ollantaytambo é uma obra de arte da cultura inca, com surpeendentes pedras gigantescas muito bem encaixadas. Algumas dessas rochas são encontradas somente a 7km do local, o que demonstra a incrível capacidade de logística e construção dominda pelos incas. Na montanha à frente é possível visualizar um colca que era um local para armazenamento de alimentos. Em função do ponto estratégico que foi construído o colca, mesmo em dias muito quentes, o vento que bate na montanha deixa o lugar fresco, possibilitando uma adequada conservação dos alimentos.

Em Chinchero, a última parada do tour, você pode encontrar diversos artesanatos na comunidade. Há ainda a apresentação de como são feitos os produtos têxteis fabricados por eles, desde a diferença entre as lãs de lhama, alpaca, baby alpaca e vicunha, o processo de formação do fio de lã, o tingimento desse material com produtos (todos) naturais como folhas, insetos, raízes e sementes e o processo de tecelagem propriamente dito. Uma explicação tão didática quanto divertida e interessante. Há também uma igrejinha construída sobre um templo inca.

Acordamos felizes e finalmente descansados após uma bela e reparadora noite de sono. Um merecido café da manhã com omelete trouxe mais disposição. O passeio do Vale Sagrado foi magnífico. Voltei de lá realmente apaixonada pela cultura inca e após ouvir do guia e ver in loco as construções e todo aquele sistema organizado, e percebi o quão evoluídos eram os incas e o quanto de aprendizado devemos tirar dessa viagem.

O início foi em Pisaq e pelo caminho você já consegue ver algumas terraças de plantio. Na parada numa feira de artesanato local não faça como nós que só compramos a legítima touca do Peru (e da Bolívia também), aproveite para comprar boa parte das lembranças que quiser, pois percebemos que os preços por lá são mais baratos do que em Cusco. Na chegada às ruínas há uma vista realmente incrível do vale, com umas terraças de cultivo memoráveis e que me fizeram mergulhar naquela história. Fiquei imaginando como foram construídas, quantas pessoas trabalharam para deixá-las tão bem acabadas num lugar tão íngreme e como seria olhá-las todas cultivadas.


Uma caminhada e chegamos nas ruínas de Pisaq, nosso guia que era excelente fez toda uma explicação no local. Aí vai uma parte da aula de história: as construções de menor importância como os colcas (depósitos de alimentos) e as casas do povo eram feitas com pedras irregulares, colocando argila entre as pedras para firmar a construção. Já os templos eram feitos a partir de pedras regulares, polidas e perfeitamente encaixadas uma na outra, sem qualquer argila entre elas. E nas ruínas você observa claramente isso. Um trabalho primoroso.


Na parada para o almoço em Urubamba fique esperto. Nós tínhamos 1 hora para a refeição mas não quisemos ficar no restaurante que o ônibus parou porque estava muito caro e fomos no do lado. Aí fizemos um almoço maluco: já tinham se passado uns 20 minutos até entrarmos no restaurante, pedimos o menu do dia, ficamos esperando mais de 30 minutos e no final das contas comemos em 5 minutos e saímos correndo pra não atrasar o bus.

Ollantaytambo foi (depois de Machu Picchu, óbvio) o lugar que eu mais gostei de conhecer na região de Cusco. A primeira visão do complexo arqueológico já dá uma cansadinha: você vê uma construção com mais de 200 degraus te esperando para chegar ao templo que nunca foi terminado, mas isso é só um detalhe. Ollantaytambo impressiona: são pedras gigantescas trazidas a mais de 7 quilômetros de distância montanha acima, absoluta e primorosamente encaixadas, não passa um fio de cabelo entre aquelas pedras. Vivenciar essa história é admirar esse povo e comprovar sua incrível capacidade de realização. Um show. Um lugar pra ficar horas e horas explorando e, aliás, esse é o ponto fraco do passeio do Vale Sagrado: o tempo para visitar (principalmente) Ollantaytambo é muito curto. Enquanto estávamos explorando uma pequena parte daquele complexo avistei nosso grupo lá em baixo. Caraca. Tivemos que sair correndo, e lá se foram outros 200 e poucos degraus abaixo numa corrida maluca. Se eu tivesse possibilidade teria voltado lá pra percorrer cada cantinho com calma porque o lugar vale a pena.


A parada seguinte foi na comunidade de Chinchero, onde assistimos a uma bela apresentação sobre os costumes e a tradicional arte de tecer. Fiquei impressionada como são tingidos os fios - tudo utilizando corantes naturais.

 

Por último visitamos à igreja local construída sobre as ruínas incas, dentro da igreja você consegue observar bem isso.


Na volta para Cusco, fotos gravadas em DVD, jantamos lanche e voltamos ao hostal para arrumar tudo para a Trilha Inca. Mochilas prontas: último sono quentinho, quietinho e fofinho...

21º Dia (29/08/10) - Trilha Inca

Trilha Inca... Rumo à Machu Picchu

Existem duas maneiras para se chegar a Machu Picchu: de trem ou colocando a mochila nas costas e encarando o Caminho Inca (ou Trilha Inca). A Trilha Inca é o percurso mais tradicional e mais procurado por mochileiros para chegar até Machu Picchu. Há diversas opções de trilha, entretanto a 'oficial' é a de 4 dias de caminhada, percorrendo cerca de 45 km. A beleza natural da região é incrível e você aproveita para conhecer algumas ruínas incas pelo caminho.

Uma informação importante para quem está pensando em ir é: programe-se com antecedência! A reserva é feita com pelo menos 3 ou 4 meses de antecedência, pois há um limite de entrada na trilha: 500 pessoas/dia. Isso acaba gerando uma 'fila' de espera para participar da aventura. Ao longo da trilha não há hospedagem em hotéis, hostals ou coisa parecida, é acampamento mesmo. Porém você não precisa carregar absolutamente nenhum equipamento de camping (alimentos, fogão, barracas, tendas...), quem leva tudo são os porteadores (ou porters). Esses caras são uma atração à parte do caminho. Simples, quietos, ágeis e super resistentes, os porters carregam todos os equipamentos que o grupo irá necessitar nas costas e numa velocidade (com certeza) muito superior à sua. Todos os alimentos, botijão de gás, tendas, mesas, cadeiras, panelas e barracas ficam por conta deles. Enquanto os turistas sofrem com a altitude e a dificuldade das subidas, eles passam praticamente correndo ao lado muitas vezes usando apenas uma sandália nos pés.

O que fica por conta de cada um são seus itens de uso pessoal para os 4 dias, lanchinhos para beliscar ao longo do dia (barras de cereal, chocolates) e água (fundamental). Ainda assim se sua mochila estiver muito pesada e você quiser, pode contratar um porter para levar suas coisas e aí você só leva uma mochila pequena com os ítens que quiser contigo na trilha (porque o cara não fica caminhando contigo).

Acordamos às 5h e esperei um tempão até o chuveiro esquentar pois não poderia sair sem um bom banho, já que os próximos dias seriam possivelmente sem banho. Mochilas nas costas, descemos para o café. Omelete, chá de coca, suco de piña e bate papo até a chegada (às 7h) da agência.

Ônibus com todo grupo, fizemos uma parada em Ollantaytambo para comprar chocolates, amendoim, capa de chuva e bastão de caminhada.

O início da caminhada ficou marcado com a tradicional foto do portal do Caminho Inca. Atravessamos uma ponte e alguns metros à frente uma parada para que todos pudessem se apresentar. Éramos 13 pessoas: duas neozelandezas, um casal espanhol, 7 argentinos e nós dois brasileños. Havia ainda dois guias: Juan e Gloria. Todos apresentados, continuamos viagem.


O dia no geral foi tranquilo, uma subida mais pesada e o resto do caminho alternando entre plaino e pequenas subidas. Paradas para tomar água, comer alguma coisinha e descansar um pouco. A paisagem é linda e quase o tempo todo acompanhamos o fluxo dos rios. Em alguns trechos vegetação densa. O almoço foi no alto de uma montanha com sopa, macarrão, suco e chá. Por lá encontramos um Peru... ahhh, claro, tivemos que tirar foto com o Peru, no Peru!


Pegamos um pouco de chuva nesse primeiro dia. E dá-lhe capa de chuva (é indispensável). Pouco antes das 17h chegamos no acampamento. Incrível: nossas barracas montadas, prontinhas, barulhinho do rio ao fundo e pernas pro alto. Teve um lanche com pipoca, bolachas, uns pasteizinhos de vento e chá.


Enquanto esperávamos a janta ficamos conversando. Os argentinos falam bastante entre eles, e como disparam aquele espanhol super rápido, ficava boiando boa parte do tempo (até os espanhóis ficavam), rs.
Às 19h serviram a janta e fomos mimir às 21h.

22º Dia (30/08/10) - Trilha Inca

2º dia da Trilha Inca... Difíííícil

Fomos acordados pelos porters com serviço de quarto - mate de coca na porta da barraca às 5h30min. Um luxo! hehe. Organizamos tudo, tomamos café com um belo omelete e partimos para o dia mais difícil da trilha. 9 Km no total sendo 7 deles só de subida.


Paisagens divinas, riachos ao lado do caminho, bosques úmidos, nuvens baixas e subidas... pontes, ovelhas, picos e subidas... escadarias, paradas para água, chocolate, amendoim e subidas... Incrível é ver os porteadores passando por nós como se estivessem em uma simples caminhada - aliás, a não ser que você tenha um excelente preparo físico ou não esteja carregando mais de 7 kg, contrate um porteador. Nós já tinhamos contratado antes de começar a trilha. A maior parte dos integrantes do grupo acabou contratando no final do primeiro dia. O bacana é que eles são os últimos a sair do acampamento e os primeiros a chegar no acampamento seguinte, deixando tudinho arrumado para os turistas.


Subida árdua, difícil. Enchi a boca de folhas de coca, afinal as subidas eram grandes e chegamos aos 4.200 metros de altitude. A chegada ao topo da montanha foi celebrada como vitória. Mas prepare-se: por incrível que pareça a descida é tão difícil quanto a subida. Escadaria sem fim. Eu sofri mais pra descer por causa do meu joelho do que pra subir.


Na chegada o acampamento prontinho de novo. Um cochilinho antes do café da tarde e depois jantamos. O tempo abriu e o frio baixou... Batemos um papo e saímos pra ver as estrelas. O céu mais lindo que eu já vi na vida: absolutamente lotado de estrelas. Um show. "Essa noite promete ser friiiia, mas o barulhinho do rio ao lado compensa".